A contratação de atrações artísticas com dinheiro público exige transparência, mas um caso recente em Minas Gerais levantou suspeitas graves. O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) ingressou com uma Ação Civil Pública para suspender imediatamente o contrato de um show de réveillon na cidade de Três Marias. A apuração aponta um sobrepreço alarmante de até 300% em comparação com apresentações da mesma banda em municípios vizinhos, colocando em risco o patrimônio público em um momento de crise fiscal local.
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É comum que órgãos de fiscalização e defesa, como o Procon ou o Ministério Público, atuem na esfera administrativa. No entanto, nem sempre essas medidas garantem a reparação imediata ou a solução definitiva para o cidadão lesado, especialmente quando empresas ou entes públicos ignoram notificações. Quando a via administrativa não resolve, o próximo passo inteligente é o Juizado Especial.
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Sumário
- Indícios de Superfaturamento no Show de Réveillon
- Comparativo de Preços: A Discrepância em Números
- Crise Fiscal: Cortes em Saúde vs Gastos com Festa
- O Pedido de Liminar do MPMG
Indícios de Superfaturamento no Show de Réveillon
A Promotoria de Justiça de Três Marias identificou irregularidades na contratação de uma banda de música popular para a virada do ano de 2026. O contrato, orçado em R$ 100 mil, foi realizado por meio de inexigibilidade de licitação — modalidade permitida apenas quando não há possibilidade de competição, mas que exige justificativa de preço compatível com o mercado.
Contudo, a investigação revelou que o valor acordado para o show de réveillon está muito acima do praticado pela mesma banda em datas recentes e de alta demanda. A falta de uma pesquisa de preços séria por parte da administração municipal configura, segundo o órgão, uma violação ao princípio da economicidade.
Comparativo de Preços: A Discrepância em Números
Para fundamentar a ação, o MPMG utilizou dados concretos de apresentações anteriores do mesmo grupo musical. A comparação revela que o município de Três Marias estaria pagando um valor desproporcionalmente alto.
Veja o comparativo dos cachês cobrados pela banda em outras cidades entre agosto do ano passado e março deste ano:

- Matozinhos: R$ 25.000,00
- Pirapora: R$ 50.000,00
- Dom Joaquim: R$ 65.000,00
- Três Marias (Contrato Questionado): R$ 100.000,00
Essa variação representa um aumento de 53% a 300% sobre as referências de mercado, evidenciando o sobrepreço no show de réveillon contratado pela prefeitura.
Crise Fiscal: Cortes em Saúde vs Gastos com Festa
Além do sobrepreço, a ação destaca a contradição entre os gastos com entretenimento e a situação fiscal do município. Em 2025, a prefeitura publicou medidas de austeridade, cortando benefícios essenciais da população e dos servidores sob a justificativa de equilibrar as contas.
Entre os cortes realizados, destacam-se:
- Suspensão de auxílio-funeral;
- Cortes no auxílio-combustível para tratamento de saúde fora do domicílio;
- Dívida de quase R$ 3 milhões com o Regime Próprio de Previdência Social.
Mesmo diante desse cenário de escassez para serviços básicos e inadimplência com fornecedores, o executivo municipal já havia destinado R$ 1,7 milhão para outros eventos em julho e agosto. Agora, a tentativa de gastar mais R$ 100 mil em um único show de réveillon agravou o entendimento de má gestão do dinheiro público.
O Pedido de Liminar do MPMG
Diante dos fatos, o Ministério Público de Minas Gerais solicitou à Justiça uma decisão em caráter liminar. O objetivo é obter a suspensão imediata do contrato e impedir qualquer pagamento referente ao serviço.
Se acatada, a medida anulará a licitação por inexigibilidade, protegendo os cofres públicos de um gasto considerado lesivo e desnecessário frente às carências sociais do município. A ação reforça a necessidade de vigilância constante sobre como os recursos municipais são alocados, especialmente em eventos festivos como o show de réveillon.

Perguntas Frequentes
Por que o MPMG pediu a anulação do show de réveillon?
O MPMG identificou sobrepreço de até 300% no contrato de R$ 100 mil, comparado a shows da mesma banda em cidades vizinhas.
O que é inexigibilidade de licitação?
É uma modalidade de contratação direta usada quando não há competição possível, mas que exige justificativa de preço compatível com o mercado.
Quais cortes sociais a prefeitura realizou antes do show?
O município cortou auxílio-funeral e auxílio-combustível para saúde, alegando necessidade de equilíbrio fiscal, apesar dos gastos com festas.
Qual a diferença de valor apontada na investigação?
Enquanto Três Marias pagaria R$ 100 mil, a mesma banda tocou em Matozinhos por R$ 25 mil e em Pirapora por R$ 50 mil.
Como denunciar gastos públicos suspeitos?
Cidadãos podem denunciar irregularidades ao Ministério Público local ou através dos canais de ouvidoria dos órgãos de controle.